Aniversariantes de Novembro

Prosear
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“Como é bom a gente ter nascido numa pequena cidade banhada por um rio.

Como é bom a gente ter jogado futebol no Porto de Dona Emília, no Largo da Matriz,

E se lembrar disso agora que já tantos anos são passados.

Como é bom a gente lembrar de tudo isso. Lembrar dos jogos à beira do rio,

Das lavadeiras, dos pescadores e dos meninos do Porto

Como é bom a gente ter tido infância para poder lembrar-se dela

E trazer uma saudade muito esquisita escondida no coração.

Como é bom a gente ter deixado a pequena terra em que nasceu

E ter fugido para uma cidade maior, para conhecer outras vidas.

Como é bom chegar a este ponto de olhar em torno

E se sentir maior e mais orgulhoso porque já conhece outras vidas…

Como é bom se lembrar da viagem, dos primeiros dias na cidade,

Da primeira vez que olhou o mar, da impressão de atordoamento.

Como é bom olhar para aquelas bandas e depois comparar.

Ver que está tão diferente, e que já sabe tantas novidades…

Como é bom ter vindo de tão longe, estar agora caminhando

Pensando e respirando no meio de pessoas desconhecidas

Como é bom achar o mundo esquisito por isso, muito esquisito mesmo.

E depois sorrir levemente para ele com seus mistérios…

Que coisa maravilhosa, exclamar. Que mundo maravilhoso, exclamar.

Como tudo é tão belo e tão cheio de encantos!

Olhar para todos os lados, olhar para as coisas mais pequenas,

E descobrir em todas uma razão de beleza.

Agradecer a Deus, que a gente ainda não sabe amar direito,

A harmonia que a gente sente, vê e ouve.

A beleza que a gente vê saindo das rosas; a dor saindo das feridas.

Agradecer tanta coisa que a gente não pode acreditar que esteja acontecendo.

Lembrar de certas passagens. Fechar os olhos para ver no tempo.

Sentir a claridade do sol, espalmar os dedos, cofiar os bigodes,

Lembrar que tinha saído de casa sem destino, que passara num bar, que ouvira uma mazurca,

E agora estava ali, muito perdidamente lembrando coisas bobas de sua pequena vida.”

Desejamos-lhes muita saúde, alegrias e que todas as vivências lhes possam ser inspirações poéticas.

Um abraço,

Diretoria do CEEPU.

Aniversariantes:

Telma Maria Leite- 04/11

Tassiana Machado Quagliatto – 06/11

Gislene Andrade Santos –  14/11

Trecho da Poesia: Olhos Parados de Manoel de Barros.

Manoel de Barros BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.

Imagem: Elisa Freitas